Professora universitária e Doutora Direito USP. Coautora dos cursos Online de Formação em Direitos Humanos Digitais do Centro de Ensino e Pesquisa em Inovação FGV Direito SP em parceria com Nic.br, pesquisadora colaboradora da Iniciativa Educação Aberta. Professora do Centro Universitário Dom Bosco (UNDB)
Transformações nas organizações e na prática jurídica
FGV DIREITO SP, Oct 1, 2021
Transformações no ensino jurídico
De forma geral, o ensino jurídico no Brasil segue uma tradição que remonta à inauguração dos prim... more De forma geral, o ensino jurídico no Brasil segue uma tradição que remonta à inauguração dos primeiros cursos jurídicos no país. Via de regra, nossos bacharéis são moldados nos bancos universitários de forma passiva, como verdadeiros receptáculos do conhecimento que lhes é passado por meio de uma relação hierarquizada, doutoral e não dialógica. Não é difícil reconhecer que tal metodologia não se adequa à realidade atual, na medida em que não estimula o desenvolvimento pleno de habilidades exigidas na formação de um bacharel em Direito para uma sociedade cada vez mais imersa em tecnologia e na hiperconectividade. Por isso, é mais do que oportuna a iniciativa e as experiências do Centro de Ensino e Pesquisa em Inovação (CEPI) da Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV DIREITO SP), que inaugurou uma forma de refletir e ensinar o Direito com um olhar para o futuro, visando o amplo desenvolvimento de habilidades e competências necessárias para que o bacharel possa navegar com tranquilidade em uma profissão que exige, cada vez mais, uma atuação criativa. A proposta apresentada pelos pesquisadores do CEPI é trazer luz sobre uma questão da mais alta relevância na atualidade: como formar de maneira adequada o advogado do “futuro”?
O objetivo deste artigo é investigar a contribuição do ensino experiencial no campo do ensino jur... more O objetivo deste artigo é investigar a contribuição do ensino experiencial no campo do ensino jurídico enquanto instrumento adequado à formação das competências identificadas como importantes aos novos profissionais de Direito. Variadas transformações tecnológicas estão sendo vivenciadas nas profissões jurídicas, com a crescente inserção da automação e da inteligência artificial no mercado de Direito. Nesse cenário, buscou-se identificar as competências necessárias a esses novos profissionais para, a partir da utilização da teoria da experiência de ensino, ser proposto um novo método de formação jurídica com base na aprendizagem experiencial do Direito. Foi utilizada, portanto, como metodologia, especialmente, a análise de doutrina, de acordo com referenciais teóricos da Educação (Kolb e Moon), em consonância com conclusões de pesquisas jurídicas sobre o perfil dos novos profissionais de Direito (CEPI); então, idealizou-se uma nova disciplina para o curso de graduação da FGV Direito...
Traz uma análise descritiva dos Termos de Uso e Política de Privacidade do G Suite for Education ... more Traz uma análise descritiva dos Termos de Uso e Política de Privacidade do G Suite for Education e Microsoft 365, dois dos pacotes educacionais de empresas gigantes de tecnologia que vêm sendo mais utilizados pelas redes e instituições públicas de educação, particularmente durante a pandemia da COVID-19.
Se por um lado, há um esforço antigo do Brasil em inserir
tecnologia em sala de aula, através de ... more Se por um lado, há um esforço antigo do Brasil em inserir tecnologia em sala de aula, através de políticas públicas desde a década de 80 , por outro isso levanta preocupações acerca do papel e do interesse de empresas de tecnologia na oferta de seus serviços gratuitos e os impactos de tais parcerias a direitos fundamentais dos envolvidos, como alunos e professores. Há um longo debate sobre se, e em que medida, tecnologias educacionais proporcionariam uma melhoria na aprendizagem dos estudantes. Mas, além dessa questão, muitas outras precisam ainda ser consideradas. Que outros riscos a direitos estariam envolvidos no uso das tecnologias em sala de aula e o que se pode fazer para mitigá-los? Essa é uma preocupação válida que já vinha tomando alguma forma, especialmente no cenário internacional, mas que se tornou ainda mais latente após a explosão do uso de tecnologias digitais para educação após a pandemia do COVID-19, impactando de sobremaneira também a forma de prestar educação no Brasil. O texto reflete sobre essas questões trazendo luz a algumas perguntas relativas a riscos a direitos fundamentais dos agentes educacionais, especialmente no tocante a direitos fundamentais que são imprescindíveis à garantia da educação constitucionalmente prevista.
REVISTA OPINIÃO JURÍDICA (FORTALEZA) , v. 18, p. 145,, 2020
O objetivo deste artigo é investigar a contribuição do ensino experiencial no campo do ensino jur... more O objetivo deste artigo é investigar a contribuição do ensino experiencial no campo do ensino jurídico enquanto instrumento adequado à formação das competências identificadas como importantes aos novos profissionais de Direito. Variadas transformações tecnológicas estão sendo vivenciadas nas profissões jurídicas, com a crescente inserção da automação e da inteligência artificial no mercado de Direito. Nesse cenário, buscou-se identificar as competências necessárias a esses novos profissionais para, a partir da utilização da teoria da experiência de ensino, ser proposto um novo método de formação jurídica com base na aprendizagem experiencial do Direito. Foi utilizada, portanto, como metodologia, especialmente, a análise de doutrina, de acordo com referenciais teóricos da Educação (Kolb e Moon), em consonância com conclusões de pesquisas jurídicas sobre o perfil dos novos profissionais de Direito (CEPI); então, idealizou-se uma nova disciplina para o curso de graduação da FGV Direito SP, cujos resultados foram avaliados e se encontram presentes neste artigo. Concluiu-se, por meio da análise dos diários de bordo produzidos pelos alunos ao longo do semestre e de observação, que o método utilizado foi importante para o desenvolvimento das competências identificadas como relevantes à formação dos novos profissionais de Direito, quais sejam: desenvolver a capacidade de apresentar soluções criativas e rápidas de problemas; trabalhar colaborativamente em grupos diversos; e idealizar, executar e conduzir novos projetos.
Uploads
Papers by Stephane Lima
tecnologia em sala de aula, através de políticas públicas desde a década de 80 , por outro isso levanta preocupações acerca do papel e do interesse de empresas de tecnologia na oferta de seus serviços gratuitos e os impactos de tais parcerias a direitos fundamentais dos envolvidos, como alunos e professores. Há um longo debate sobre se, e em que medida, tecnologias educacionais proporcionariam uma melhoria na aprendizagem dos estudantes. Mas, além dessa questão, muitas outras precisam ainda ser consideradas. Que outros riscos a direitos estariam envolvidos no uso das tecnologias em sala de aula e o que se pode fazer para mitigá-los? Essa é uma preocupação válida que já vinha tomando alguma forma, especialmente no cenário internacional, mas que se tornou ainda mais latente após a explosão do uso de tecnologias digitais para educação após a pandemia do COVID-19, impactando de sobremaneira também a forma de prestar educação no Brasil. O texto reflete sobre essas questões trazendo luz
a algumas perguntas relativas a riscos a direitos fundamentais dos agentes educacionais, especialmente no tocante a direitos fundamentais que são imprescindíveis à garantia da educação constitucionalmente prevista.